domingo, 22 de março de 2009

Minha Mulher-Maravilha...


Hoje esse texto não será engraçado. Será bem real. Na verdade, mais real do que eu gostaria que fosse. Esse texto será sobre minha mãe... A uns dois anos atrás, escreví para o Terraço Fortalezense, um texto sobre minha mãe... Mergulhei em sua personalidade e a descrevi febrilmente concluindo com uma constatação evidente: Minha mãe é viciada em vida. Em ser diferente, em fazer questão de exisitir e deixar o mundo consciente desta existência. Juntando tudo isso em um pacote? Sim... esta sem dúvida é a melhor definição de minha mãe.

Em Outubro de 2008 minha mãe descobriu um câncer. No pulmão. Fomos todos tomados por uma apreensão. Havia tratamento. A apreensão foi abrandada. Mas continuava viva. Alí, escondida. Imaginava minha mãe sofrendo com os efeitos colaterias de uma quimioterapia, mas sem perder a pose. Já queria fazer uma peruca (Loira e vasta, claro...) de seus próprios cabelos, antecipando uma calvície tipica deste tratamento tão devastador. Se consultou com os melhores dermatologistas da Ilha Alencarina, visando um possível ressecamento da pele. E se operou. Retirou o 3º lóbulo do pulmão. E a temível metástase foi extirpada junto com ele. Whatever... quimioterapia, radioterapia e novamente, minha mãe demonstrou ser uma guerreira amazona por adoção e uma valente mãe árabe por origem. Nenhum efeito colateral se apresentou. A mais leve tontura não foi detectada. Essa é minha mãe! Dura na queda. Uma rocha síria e destemida. Mas comemoramos rápido demais. A maldita doença ressurgiu. Avassaladora. Devastadora. Fazendo uma covarde queda de braço com sua saúde. E vencendo. A metástase chegou ao cérebro. E começou a cobrar o preço do desafio. Minha mãe é uma pessoa intensa. Soberba! Mimada, mas extremamente humana. Herdei dela sua vaidade, sua garra e seu gênio. Nos enfrentamos várias vezes. Por sua possessividade de mãe judia, junto a um corpo sírio e guerreiro. Mas de nós, transborda amor. Esse texto é um desabafo. Estou expondo a fragilidade que jamais achei possuir. Por estar perdendo um ícone na minha vida e na minha criação. Por estar perdendo o espelho de minha força. Jamais exisitiu alguém tão passional. Alguém tão disposta a viver seus amores, seja lá que preço for cobrado. Alguém que dá a vida e se orgulha, por ver nela impressa um amor inesquecível. Minha mãe jamais temeu amar. Jamais temeu buscar. Jamais temeu dizer, opinar ou avançar. E principalmente, jamais temeu lutar. Mas esta luta é covarde e implacável. A pior parte de perceber que estou perdendo a minha "Mulher-Maravilha" muito mais rápido do que esperaria, é constactar a crueldade e o preço desta luta... é ver se esvair da melhor e mais viva mulher do mundo, aquele brilho, aquela energia, aquela certeza tão presente em cada ato dela. O mais difícil é ver se esvair de seu corpo, toda aquela atitude. Toda aquela paixão. O mais difícil é trair em resposta àquele olha tão intenso, trair aquela expectativa e aquela certeza tão dela, de que a cura está virando a esquina e vindo em velocidade máxima. Uma certeza de que vai dar a volta por cima. E para nós, filhos, está cada vez mais dificil manter esse olhar... Peço desculpas aos que acompanham este blog. Mas estou me afastando um pouco. Pode ser que eu volte em algum momento. Mas neste momento, minhas energias tem outro foco: Mostrar a "Mulher Maravilha" que ela criou, com louvor, um "Super Homem".


Peço aos que tem fé, neste momento, que lembrem dela em suas orações. Aos que a conheceram, aos que a admiram por sua popularidade, por sua vitalidade, por sua energia. O quadro é crítico. Mas ainda nos resta como remédio, a fé.



*Deus sabe o que faz... o que não quer dizer, em sua gloriosa saberia, que seja indolor.

2 comentários:

Ana Paula Pires disse...

Termino de ler esse texto com muitas lágrimas em minha face.
te amo

Anônimo disse...

Ela continua viva em você, já que herdastes tantas qualidades dela, que poucos têm.