quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Saúde na Tv... ( Ou quase isso...)


Sabe quando você espera ansiosamente pelo fim de semana com mil planos para a Sexta a noite, o Sábado e o Domingo e de repente seus planos caíssem por terra, um a um, como velhinhos cardíacos aguardando na fila do INSS ? Well... isso dá uma dimensão muito próxima de minhas expectativas quanto a este fim de semana. Eu bem confesso que tenho me mantido recluso esses dias, mas... Aff! Namoro novo, rotina nova, programas diferentes, posições inusitadas e blá blá blá. Whatever. Meu new partner viajou para cheirar naftalina com a família... digo, festejar o aniversário de 89 anos do avô. Isso por um lado foi frustrante, uma vez que eu já havia feito planos ligeiramente mais sociais para nós dois, por outro lado... beeeeeem... um fim de semana solteiro, sozinho, livre e desimpedido!!! Adóóóóóro! Hora de reencontrar os amigos, bebericar algumas doses (litros) de vodka com energético, pedaços de frutas, gelo, algumas colheres de açúcar (Misture tudo em uma coqueteleira por uns 6 segundos apenas) e divagar a respeito de detalhes sórdidos dos últimos acontecimentos junto à confissões anatómicas. Ou seja, um riquíssimo papinho a toa entre bee-friends. Tudo parecia perfeito... se não fosse por um degrau da escada de casa, discordar de meus planos (ou é o santo de meu digníssimo que é fortíssimo...). Resultado... meu pé direito ganhou proporções de uma pintura de Botero. Meigo não? Por sorte vaso ruim não quebra... é apenas uma torção. Que me condenou a ficar em casa de pé para cima assistindo a todas as maravilhas que a TV paga pode oferecer (ARGHT!!!). Óbvio que isso também dá margem a algumas interessantes observações. Uma que merece destaque é: Os americanos são hipocondríacos. Sim! É verdade! Somente isso pode explicar o volume de séries baseadas em hospitais e pronto atendimentos. Gente! O IJF não é nada! Acho os diálogos fantásticos! E estou procurando alguma ocasião para gritar "fibrilando!", "se você me ouve, pisque duas vezes", "duas bolsas de O positivo, rápido!" ou "infelizmente teremos de abrir o tórax". Claro que ainda não achei nenhuma. Mérde! E como os médicos são nobres em seriados. O que tem de pediatra querendo pagar do próprio bolso tratamentos para criancinha com câncer! Outro fator sensacional é que, apesar do PS lotado, sempre tem uma sala vazia para o doutor e a enfermeira darem uns amassos, rolar aquele clima de tensão sexual entre o residente novato (que é lindo...), com o sofrido residente latino (não sou eu... quem dera...) atormentado pelo passado violento e por tudo o que passou para chegar até lá... (Aff... um Lexotan resolvia o problema...). Whatever! Adoro! Para os gringos, desgraça pouca é sempre bobagem. Só assim para misturar o drama de uma bala, um atropelamento, uma facada, um infarto dos pacientes, com a briga pela custódia dos filhos dos médicos, ou a insegurança sexual do residente sofrido latino. Eu acho très chic!
Tudo bem, tudo bem... depois de aprender pela TV como fazer uma traqueostomia, um parto, uma retirada de bala, achei que tinha visto de tudo. Nananinaninha! Boba! Eis que em minha brincadeira psicótica de mudança de canais, encontro o ápice da minha sessão hospital (Dentro e fora da telinha... dammit!): Uma adolescente californiana decidiu que sua medida ideal para sutiã seria algo entre o 48 e o 50... Voilá... Uma aplicação de silicone completa (ainda que resumida) do pré operatório (E um sorriso de expectativa quase infantil), ao pós operatório (Uma cara sofrida, Tereza Batista e uma expressão de quase PQP me ... no rosto).
O médico colocou a prótese na menina como se estivesse enfiando uma meia numa gaveta já lotada. Sutil como um beagle hiperativo no cio brincando com uma perna desavisada. Depois do estica-e-puxa, ele sentou a paciente para ver o resultado. E a garota lá, anestesiada, babando, sem desconfiar de nada. Tudo bem que o programa termina com a menina um mês depois. Hiper maquiada, enfiada em um mega-decotado vestido de entrega de Oscar, vermelho bombeiro em um brilho duvidoso (Cetim mesmo ou seda?), dando um emocionado depoimento onde afirmava que devia toda a sua alto estima ao Doutor Fulano e as suas novas mamitas (Visivelmente desproporcionais ao tamanho de seu tórax e sua cabecinha... oca, é claro). Tenho de reconhecer(odiando, mas...)... antes ela parecia a Carol Anne de Poltergeist... e depois do silicone, a Lindsay Lohan versão blondie girl. Hummm... duas lições tiradas de uma noite e madrugada a frente da TV (E o fim de semana por vir... aff!):
-Se todo médico nos EUA for gato do jeito que aparecem nos seriados, vale muuuuuito a pena pagar plano de saúde!
e
-Decididamente pra ser fashion, tem de sofrer...
est la vie ...